A Monalisa E O Movimento Slow Art

Monalisa No Louvre - Slow Art vs Exposições Convencionais

A Monalisa E O Movimento Slow Art

A Arte de Apreciar a Arte

Minha experiência junto ao Louvre gerou a convicção de apoiar o Movimento Slow Art, que resgata o prazer, conforto e proporciona experiências especiais e únicas na apreciação da Arte, em museus, galerias e exposições.

Caminhava maravilhado pelos corredores do museu, demorava em cada obra o tempo que o coração determinasse, sem pressa alguma, fotografando ao me despedir de cada tela…

Tudo ia muito bem até que… a Monalisa me chamou! Uma placa indicativa apontava a direção e a segui…

Aí começou o martírio, situação que lamento ver repetir em boa parte dos vernissages atuais: ouço passadas rápidas e ruidosas… centenas!

Humor - Ver a Monalisa no Louvre é uma experiência traumatizante
Humor – Ver a Monalisa no Louvre é uma experiência traumatizante.
Gif animada parodia o excesso de turistas circulando na sala da Gioconda

Exagero em dizer que o chão tremia perante algo que parecia ser uma avalanche descendo a montanha: estourou uma manada de pessoas anti-slow-art!

Tal qual Indiana Jones, tento manter-me à frente da imensa bola humana que rolava impiedosa pelo antes sereno ambiente.

Em vão: o tsunami humano me arrastou e eis que me vejo perante Vossa Majestade, a Gioconda!

Ingênuo, tentei apreciar… Contudo, cotoveladas, pisões e esbarrões são péssimos aliados. Um infindável revezamento de pessoas, uma após outra, parando por alguns segundos para uma “selfie” com a celebridade mais popular do Louvre.

Evoquei todos os poderes dos monges tibetanos para me isolar do mundo e focar na mais conhecida obra de Da Vinci…

Ops, superpoder errado! Precisaria emprestar do Superman sua visão telescópica e de raio-X, tamanha era a distância somada a um vidro de proteção que nem sequer é antirreflexo!!

O reflexo no vidro era tamanho, que enxergava nele mais a tela que estava na parede ao lado (suponho que seja a obra ”The Fainting of Esther”, de Paolo Veronese…), do que a própria Monalisa!

Henrique Vieira Filho nos mostra o efeito visual prejudicial do vidro de proteção da Gioconda, de Leonardo Da Vinci
Henrique Vieira Filho nos mostra o efeito visual prejudicial do vidro de proteção da Gioconda, de Leonardo Da Vinci

Bem mais agradável foi a experiência que despertou o artivismo em Phil Terry, a qual mudou radicalmente sua apreciação das Artes, após ter experimentado dedicar vários minutos a cada obra, no Museu Judaico, em 2008.

Antes acostumado a tão somente passear pelas obras, ampliou exponencialmente o prazer e a percepção de belezas e detalhes nas telas, a tal ponto que tornou-se patrono do Slow Art Day.

A cada ano, geralmente no dia 08 de abril (em 2018, optaram pelo dia 14…) as galerias participantes em todo o mundo estimulam aos visitantes que selecionem algumas de suas obras e as apreciem por 5 a 10 minutos cada, tendo a oportunidade, a seguir, de trocar experiências com os demais participantes, sob mediação de um curador ou artista.

No Brasil, a Galeria HVF Artes e Sociedade Das Artes, são os representantes oficiais do movimento, e mais do que tão somente um dia, uma semana inteira estará à disposição: Slow Art Week Brazil – de 08 a 14/04/2018

Além de ter acesso à Exposição em si, cada participante seleciona a tela que mais lhe atrai e esta obra será disponibilizada bem à sua frente, podendo observar com conforto e tempo.

Considerando que, além de Artista Plástico, também sou Psicanalista Junguiano, faço questão de intermediar a experiência e a troca de ideias e, dependendo da desenvoltura de cada grupo, posso até propor uma Art Experience, onde VOCÊ se transforma em ARTE!

A seguir, alguns exemplos de que, ao invés de tão somente passearem em frente à Monalisa, investiram em experienciar a ARTE e se transmutaram em suas próprias versões da Gioconda!

Clique Aqui para assistir ao vídeo com as etapas criativas!

Sério Giocondas - Telas de Henrique Vieira Filho
O processo criativo das telas do nosso Artista Henrique Vieira Filho envolve modelos reais, pintura corporal, cenografia e teatro na incorporação das personagens.
Após esta etapa inicial, se somam muitos dias de pintura digital e criação, até o resultado desejado.
Esta imagem sintetiza uma sessão de fotos, uma pintura e o trabalho finalizado, com as telas “Gioconda Africana” e “Gioconda Egípcia”, em exposição na Galeria Hvfartes

 
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Mais Dez Técnicas Complementares Aprovadas No SUS

Brioches vs Pão
Justiça vs Terapias
Justiça vs Terapias – A Reserva de Mercado Determinada Via Judicial, Portarias e Decretos

Mais Dez Técnicas (“complementares”…) da NOSSA Profissão Aprovadas No SUS

O Povo Pediu Pão, O Governo Ofereceu Brioches…
Só Que Estão Sem Ingredientes E Ninguém Sabe Cozinhar…

Jamais subestime a capacidade de nossos governantes em desagradar gregos e troianos ao mesmo tempo…

Deveria ser uma ótima notícia para todos nós, Terapeutas: nesta semana, o Ministério da Saúde, em um congresso sobre a NOSSA Profissão, anunciou que mais outras dez técnicas NOSSAS foram incorporadas ao SUS: Apiterapia, Aromaterapia, Bioenergética, Constelação familiar, Cromoterapia, Geoterapia, Hipnoterapia, Imposição de mãos, Ozonioterapia e Terapia de Florais.

Claro, há todo um lado óbvio e positivo nisto; afinal, em tese, é um “reconhecimento” de que sempre estivemos certos em abraçar as técnicas holísticas, tão perseguidas na história.

Vamos, agora, ao lado “negativo”…

Primeiro, foi “escolhido” um péssimo momento… Afinal, anunciar um “gasto público extra” em plena crise econômica e perante um verdadeiro caos no serviço público de saúde, onde falta quase tudo, só poderia causar revolta e desaprovação social.

Esse referido congresso (1º Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Saúde Pública – INTERCONGREPICS) foi composto tão somente por… MÉDICOS e POLÍTICOS, além de convidados internacionais da OMS – Organização Mundial da Saúde (também médicos e políticos…).

Pasme: NENHUM Terapeuta “não-médico” BRASILEIRO pode fazer parte, nem dos estudos, nem dos textos, nem das conclusões… Por sinal, isto não é nenhuma novidade… Sempre foi assim! Apenas a partir de 1992, com a fundação do CRT e do SINTE é que as coisas começaram a mudar e, pelo visto, regrediram novamente, nos últimos governos.

Todos bem recordam que, faz cerca de 20 anos, o CRT – Conselho de Auto Regulamentação da Terapia Holística recrutou equipes de voluntários, por todo o Brasil, para a chamada “Residência Em Terapia Holística No Serviço Pùblico de Saúde”. Mediante leis e decretos municipais, sem nenhum custo aos cofres públicos, nossos Credenciados atenderam GRATUITAMENTE a população carente e com enorme sucesso.

As repercussões nos meios de comunicação foram excelentes, com todos os grandes veículos da imprensa televisiva e escrita elogiando.

Perante o inegável sucesso da empreitada, a classe política tratou de “pegar carona” e, tardiamente, em 2006, iniciou a implantação de NOSSAS técnicas junto ao SUS…

Entra ano, sai ano, criam novas Portarias, muitas vezes só “cosméticas” (alterando termos, códigos, trocando “seis por meia-dúzia”…), enquanto que, em outras vezes, algo de bom é estabelecido.

Outrossim, um parâmetro não mudou: as NOSSAS técnicas, majoritariamente, serão exercidas no SUS tão somente por OUTRAS profissões que nunca estudaram para tal!

Em tese, das 29 técnicas “complementares” aceitas pelo SUS, os profissionais que REALMENTE as estudaram e praticam (NÓS…), em apenas algumas poucas, existe a possibilidade legal de sermos aceitos, pois, TODAS são focadas nos “mesmos de sempre”: médicos, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, educadores físicos e as demais profissões “chapas brancas”.

Por exemplo: sou Artista Plástico e Arteterapeuta, mas… não seria aceito pelo SUS para exercer… Arteterapia!! Sou também Educador Físico (CREF…) e, ironicamente, com esse título, poderia ser mais facilmente contratado, ainda que, JAMAIS tenha sido estudada Arteterapia nos cursos de Educação Física!

Na prática, nestes DOZE ANOS em que o Ministério da Saúde encampou nossas técnicas, nunca foi aberto nenhum concurso público para contratação de colegas da NOSSA Profissão. Simplesmente TODOS os cargos com NOSSAS técnicas são preenchidos com os profissionais “de sempre” do SUS…

Claro, alguns poucos colegas conseguiram vencer esta barreira… Contam-se nos dedos das mãos os que foram contratados, em todo o Brasil… Tais exceções, confirmam a “regra”…

No início deste artigo, ressaltei essa capacidade ímpar do governo em desagradar a todos… Quem mais reclamou do andamento? Ora, simplesmente a profissão mais favorecida por todas estas portarias: o Conselho de Medicina protestou que não adianta implantar, por exemplo, “Terapia Floral”, pois os médicos são PROIBIDOS de exercer esta técnica… Também não adianta sequer cogitar em adquirir “kits de essências”, sendo que medicamentos básicos estão em falta no SUS.

Lembrando ainda que os enfermeiros tiverem recente derrota judicial que os impede de montar consultórios, bem como farmacêuticos, que ora são impedidos de exercer, por exemplo, Acupuntura, ora são liberados e o mesmo acontecendo com os psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, TODOS em disputas judiciais com o Conselho de Medicina, quanto a quais técnicas podem ou não exercer…

Enfim, diante de tantos processos legais em busca de “reserva de mercado”, esquecem, inclusive, o lado ÉTICO e TÉCNICO: como nunca estudaram NOSSAS técnicas em seus cursos de formação, como é que pode, mediante simples “canetadas”, se tornarem aptos a exercer as “complementares” no SUS?!…

O Ministério da Saúde se propõe a ofertar “brioches gastronômicos”, mas, não tem nem os ingredientes, nem os “chefs” que saibam preparar tais receitas…

E, se pesquisarem nos milhares e milhares de comentários nas reportagens sobre esta pauta, verão que o mais inconformado e contrariado é… o POVO!

É nítido que estão pedindo “pão”, ou seja, o básico na saúde pública: querem mais médicos, mais hospitais, mais exames, menos filas, mais medicamentos… E estão (muito…) revoltados com o que consideram uma “extravagância”, um “desperdício” de dinheiro público com o “alternativo”, sendo que nem do “oficial” o SUS dá conta…

Esta mesma revolta está acontecendo em Portugal (do povo e da IMPRENSA, inclusive…), onde os órgãos oficiais da educação daquele país aprovaram que passem a existir cursos reconhecidos em nossas técnicas…

Verdade seja dita: a Terapia Holística, na atual realidade, é apreciada e desfrutada por uma pequena parcela privilegiada da Sociedade.

Afinal, só quem já tem suas necessidades básicas (alimentação, moradia, emprego, acesso à medicina convencional…) satisfeitas é que pode se dar ao “luxo” de buscar qualidade de vida e autoconhecimento.

Ainda não será desta vez, que nossos deliciosos e gastronômicos “brioches” serão servidos à população em geral…

Mas, sem dúvida, foi dado mais um pequeno passo para que isso venha a acontecer… Algum dia…

Meus votos de ótimos atendimentos em seus consultórios (particulares…) para todos os colegas!

Henrique Vieira Filho
Terapeuta Holístico – CRT 21001

Começou HOJE a Exposição He For She! Eles Por Elas! Henrique Vieira Filho homenageia o Sagrado Feminino

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Começou HOJE o He For She! Eles Por Elas!
O Artista Plástico e Psicanalista Henrique Vieira Filho empodera o Feminino em sua mais recente Exposição!
De 5 a 8 de março na Alameda Santos, 211 – São Paulo – SP

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Exposição HE for SHE!
Homenagem Ao Feminino
Nas Obras Do Artista Henrique Vieira Filho
De 05 a 08 de Março

Agende AGORA sua entrevista exclusivaem seu estúdio em São Paulo ou durante a Exposição He For She!
Desejando, solicite release completo e fotos para divulgação!
De 5 a 08 de março
Alameda Santos, 211
região da av Paulista
São Paulo – SP

Venha tomar um vinho conosco, celebrar o DIA INTERNACIONAL DA MULHER e conhecer este belo trabalho!
Fique à vontade em agendar diretamente ([email protected] / Whatsapp: 11 – 93800-1262) e saiba que será um prazer lhe receber em nossa galeria.
Presenças confirmadas para esta Exposição:
Guerreiras, Sereias, Fênix, Anjos, Tsurus e muito mais seres fantásticos da mitologia das mais variadas culturas, nas telas e esculturas do Artista Henrique Vieira Filho

Nestas imagens,Henrique Vieira Filho empodera grandes Mulheres: uma querida personalidade da sociedade carioca, que é a Márcia Veríssimo, além de uma linda e talentosa atriz global, a Laíze Câmara e cantora Aline Wirley (Grupo Rouge)
Nestas imagens,Henrique Vieira Filho empodera grandes Mulheres: uma querida personalidade da sociedade carioca, que é a Márcia Veríssimo, além de uma linda e talentosa atriz global, a Laíze Câmara e cantora Aline Wirley (Grupo Rouge)

Marie_Anick_Hannah_Henrique_Vieira_Filh
O Artista Henrique Vieira Filho homenageia as socialites Marie Annick Mercie e a modelo Hannah em suas telas, que também marcarão presença na He For She – Homenagem Ao Feminino Nas Obras Do Artista Henrique Vieira Filho.

 

Pierrots, Colombinas e Arlequinas – Carnaval, Arte e Psicanálise

Projeto Carnaval - Series VooDolls e Fantasia - Fotografia e Arte Henrique Vieira Filho

O Artista e Psicanalista Henrique Vieira Filho fala sobre o fenômeno da personagem Arlequina, retratada em várias de suas Artes e Fotografias, bem como sua interpretação na Psicanálise, se fosse um caso da vida real.

Pierrots, Colombinas e Arlequinas

No Carnaval, Arte e Psicanálise

Ao contrário do que se canta na carnavalesca “Máscara Negra”, quem chora pela inteligente, bela e charmosa Colombina é o triste e ingênuo Pierrot (Pedrolino), tendo o malandro e irreverente Arlequim completando o triângulo amoroso.

Os três são personagens constantes em um estilo teatral popular, iniciado no Século XVI, na Itália, conhecido como Commedia dell Arte, recheado de crítica social.

Suas roupagens, maquiagens e trejeitos teatrais inspiraram os atuais palhaços circenses, bem como as fantasias e máscaras carnavalescas, chegando até nossos dias de uma forma miscigenada.

Em nosso tempo, tais personagens parecem ingênuos ao compararmos com algumas de suas variações atuais, das quais aqui abordo a Arlequina

Nascida nos desenhos animados como personagem secundária atrelada ao Coringa (um dos vilões preferenciais das histórias de Batman), conquistou tamanha simpatia do público que foi transposta para os quadrinhos e, mais recentemente, em filmes, passando a ter uma “biografia” complexa capaz de explicar sua trajetória.

Sofrendo abusos desde a infância, quando adulta e exercendo psiquiatria, Harley Quinn é seduzida pelo Coringa, a quem atendia no manicômio judiciário, iniciando um relacionamento marcado pela violência verbal e física.

Sob o ponto de vista artístico, de certo que a dramaticidade, a sensualidade, a beleza estética são mais do que suficientes para cativar o público.

Minha série fotográfica de Arlequinas, em exposição na recente 5ª Arte No Fórum, comprovam esta tese, tanto por terem sido acolhidas pelo Curador Roko Brasil, quanto pelas presentes à inauguração. Em menos de 24 horas, já tive o prazer de constatar uma de minhas fotografias já adotada em um novo lar, na estante de sua feliz admiradora!

Em suma, quanto à Arte esta personagem está no meu leque de opções, seguramente!

Já a minha faceta Terapeuta Holístico se preocupa com tamanha “glamourização” do abuso e da violência. Elegidos como “casal idealizado” por boa parte do público, na vida real este tipo de relacionamento seria caso para anos e anos de Psicanálise e até de ações penais…

Arlequina e Coringa parecem ter sido criados com toda a lista de características “oficiais” de quadros classificados como patológicos pela psiquiatria, denominado “transtornos de personalidade”, neste caso, histriônica e antissocial, respectivamente.

Na Terapia Holística, não rotulamos os Clientes em classificações deste tipo; outrossim, difícil supor algum caso em que um relacionamento deste tipo sirva de modelo a ser adotado.

Enfim, que esteja sempre clara a distinção entre Arte e vida real:

Que fique a nossa solidariedade e portas de consultório continuem sempre abertas para os que vivenciam relacionamentos abusivos…

Enquanto apreciamos esta ficção na literatura, cinema, artes plásticas e fotografia: convido a todos para conhecerem minhas Arlequinas (dentre outras fantasias…) na 5a Arte No Fórum!

A Fotografia Como Instrumento Nas Artes Plásticas

Projeto Carnaval - Series VooDolls e Fantasia - Fotografia e Arte Henrique Vieira Filho

O Artista Henrique Vieira Filho apresenta o Projeto Carnaval, em duas Séries de Fotografias para a 5ª Arte No Fórum.

A Fotografia é um Arte que basta por si mesma.

Outrossim, as fotos são essenciais para meu trabalho como Artista Plástico.

Minha porta de entrada para a profissionalização artística foi graças a uma série de fotografias em preto-e-branco, selecionadas para o livro Les Brésiliens vus par les Brésiliens (Os Brasileiros vistos pelos Brasileiros), lançado em Paris.

A repercussão foi excelente e ocorreu uma crescente demanda extra, ora solicitando versões coloridas das imagens, ora requisitando dimensões cada vez maiores, além de versões giclée/fine art, onde o resultado final, mediante técnicas mistas, equipara a telas figurativas pintadas em tecidos de algodão.

Como Artista, minha identificação atual é com esta última vertente, creio que também a mais apreciada pelo público, tanto que as minhas telas viajaram o mundo (literalmente…).

Ainda assim, eis que, agora em fevereiro, tenho o prazer de revisitar a Arte Fotográfica, especialmente para a 5ª Arte No Fórum, convite irrecusável, já que a Curadoria está a cargo do querido Roko Brasil.

Disponibilizei pouco mais de vinte imagens, das quais dez estão em exposição até o mês de maio de 2018.

As fotografias são de meu Projeto Carnaval, composto por duas Séries: Fantasias e VooDolls.

Na sequência deste Artigo, novas postagens com algumas das imagens e a minha interpretação sobre cada trabalho.

Convido a todos a acompanhar e a criar suas próprias interpretações das fotografias, pois, o que realmente importa é o que cada trabalho fala a cada coração que o vê!

Por ora, seguem algumas imagens da inauguração!

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O Carnaval E As Máscaras do Eu

Harley Quinn - Arte e Fotografia: Henrique Vieira Filho

Título: Libertação Fotografia e Arte: Henrique Vieira Filho Modelo: Pam

A origem do Carnaval é milenar.

Deriva das mais variadas culturas em seus ritos primaveris, posteriormente incorporados ao calendário miscigenado e conciliador da igreja romana.
Uma das características interessantes destas manifestações é o uso das máscaras, que mais do escondem, igualmente expõem as tendências ocultas ávidas por se exteriorizar.
É obrigação de todo Terapeuta Holístico compreender a “linguagem” do inconsciente e esta passa necessariamente pelo estudo dos símbolos e arquétipos, o que implica em conhecer as lendas, os rituais e as manifestações culturais das mais variadas sociedades.
Neste contexto, nada mais natural que analisemos o Carnaval, carnem leváre, carne levare, ou seja, abstenção de carne, em analogia aos 40 dias de abstinência que se seguirão, a chamada “quaresma” da religião católica, período que se atribui ao de Jesus de Nazaré, em preparação ao seu enfrentamento às tentações.
A chamada “Quarta-Feira de Cinzas” nasce do ritual de sinalizar com cinzas a testa dos fiéis que se preparam para jejuar, lembrando-os de que tudo é transitório e que devemos retornar ao “pó” original.
Os ritos de final de inverno, início de primavera (esperança e renascimento após um longo e difícil período…) correspondia ao mês de dezembro (porção Norte de nosso planeta…).
Outrossim, com a inclusão de dois novos meses em homenagem aos imperadores (Julho – Júlio Cezar e Agosto – Cezar Augusto…), somado à conveniência política de vincular à quaresma, os festejos se transferiram para fevereiro, perdendo sua característica de comemoração ao ano novo.
Das várias divindades “pagãs” relacionadas aos rituais da primavera, a que melhor se adequada ao atual espírito carnavalesco é Baco (Dioníso),
Ele é o deus do paroxismo, ou seja, ele conduz a conhecer nosso lado oculto, simplesmente vivenciando-o…
E é exatamente isto que muitos fazem neste período…

Saciando desejos ocultos e reprimidos, não raro, envolvendo libertinagem, violência e várias formas contrárias aos valores estabelecidos pela classe dominante.

Trata-se de uma catarse coletiva, uma “válvula de escape”, sob relativa tolerância da sociedade, visto que são manifestações limitadas no tempo e espaço.
Certos historiadores associam o uso de máscaras e fantasias como forma de ocultar as verdadeiras identidades.
Desta forma, evitam represálias após findo o período de inversão de valores, onde escravos se faziam de senhores e a oposição criticava a situação.
Do ponto de vista simbólico, esta tradição tem raízes bem mais profundas e atemporais.
Ao invés de ocultar, as máscaras servem justamente para despertar em quem as usa, as características ocultas e que são tradicionalmente atribuidas ao ser personificado.
Ritualisticamente, nas mais variadas culturas, o uso de uma máscara precede a intensas preparações.

Eram jejuns, rezas, meditações, objetivando que os atributos evocados não venham a sobrepujar o “eu” do usuário.

Modernamente, a Psicoterapia Junguiana preconiza que é salutar que utilizemos de várias “máscaras”, várias “personas” as quais evidenciam e/ou inibem certas características pessoais, de forma a nos adaptar aos vários papéis que desempenhamos na sociedade.

Sempre devemos observar que nosso “eu”, nosso “Self” é muito mais do que uma ou mesmo que a soma de nossas “personas”.

Identificar-se exclusivamente com uma de nossas “máscaras” é limitar nosso desenvolvimento e bloquear nossa auto-realização.
A Terapia Holística nos auxilia a (re)conhecer a vasta gama de “máscaras” que assumimos, a “pulsar” entre elas, de acordo com as necessidades e a compreender-nos como sendo muito além do que os papéis que exercemos na sociedade.
Eis alguns exemplos típicos, com os quais certamente, todos já nos deparamos:

Todo mundo deve ter conhecido alguém que vista a “máscara” de MÃE, 24 horas por dia…

É mãe dos seus filhos (tudo bem…), é “mãe” do seu marido, ou namorado (hum….), “mãe” de seus colegas de trabalho (opa…).
Claro que tal fixação resultará em sérios problemas nas situações em que as “personas” de amante e de amiga seriam bem mais felizes…
Imagine também a figura do “militar”, que assim age com seus subordinados no quartel, mas que da mesma forma continua fora do expediente, distribuindo suas ordens ao cônjuge, filhos, amigos…
Ou, como autocrítica sadia a nós mesmos:
Aqueles que são Terapeutas Holísticos dentro e fora do consultório, seja com Clientes ou não, e ficam analisando a todas pessoas que encontram…
Identificar-se com apenas uma de nossas “personas” é uma fuga de nosso verdadeiro “eu”.
As máscaras são símbolos de identificação.
Por apropriação “mágica”, seja na aparência e/ou comportamento e poderes, o usuário desperta de si as características que projetava na figura representada.
Ferramenta de adaptação, recurso de defesa psíquica, todos nos mascaramos em nosso dia-a-dia e o único e verdadeiro risco é o de se apegar aos papéis que exercemos.
Temos que sempre lembrar que somos atores de uma obra bem mais vasta: a nossa jornada de autoconhecimento.

Segunda Sessão – Cidade Diva No Divã: São Paulo Na Terapia

Tela Megalopolitanos Artista Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho homenageia a Cidade de São Paulo com uma série de crônicas e telas (pintura em técnica mista).
Nesta divertida ficção, São Paulo está em sua SEGUNDA sessão de Terapia Holística (psicanálise, acupuntura, vivências, arteterapia, fototerapia…), culminando em que a cidade pinta seu autorretrato, como parte da arteterapia.


Cidade Diva No Divã

São Paulo Em Terapia – Segunda Sessão

FC – Ficha de Cliente – De acordo com a NTSV – TH 003

Henrique Vieira Filho – Terapeuta Holístico – CRT 21001

Nome / Cliente: Cidade de São Paulo

Endereço: Latitude: -23.5489, Longitude: -46.6388 23° 32′ 56″ Sul, 46° 38′ 20″ Oeste

Nascimento: 25 de janeiro de 1554 (obs.: esta é a data oficial; a Cliente esclarece que o dia exato, nem ela lembra, mas que foi em 1520…)

Apontamentos:

Esta é a segunda sessão com minha nova Cliente, que é uma charmosa e hiperativa senhora quatrocentona…

Desta vez, trouxe uma foto nova para a ficha, onde uma de suas filhas a acompanha; creio que será uma boa pauta para Fototerapia

 Terapeuta:

_ Fale um pouco sobre a foto que escolhe para sua ficha.

Cidade:

_ Nem lembro se já te contei: eu tenho MILHÕES de filhos! Tanto os naturais, quanto os migrantes, amo-os sem distinção! Só que são tantos que nem dou conta… Aliás, é impossível encontrar uma foto em que esteja sozinha!

Terapeuta:

_ O que lhe chama a atenção nesta imagem?

Cidade:

_ Ah, essa menina! É uma exibicionista! E ainda tem mania de grandeza: se acha uma gigante, mesmo sendo pequenina… Deveria ser mais comportada, nesta idade! Não é mais uma jovenzinha!

Terapeuta:

_ Hum… Compreendo…

Cidade:

_ Até já sei o que está pensando! Esqueceu que já passei por psicanálise, antes? Deve estar achando que estou “projetando” minha característica na menina…

E que eu é quem não é mais “jovenzinha” pois faço aniversário agora…

Terapeuta:

_ É uma hipótese em que deve pensar e sentir com a justa atenção…

Cidade:

_ Seu colega fazia a mesma coisa! Ele é quem “projetava” em mim o que via em meus filhos!

Cito aqui, as palavras dele*:

Assim, justamente por ser histérica, São Paulo é:

Depressiva, como um antigo sobrado pichado, numa rua desfigurada e quase inabitável, por ter-se tornado via de acesso a uma marginal.
Maníaca, como a corrida de três peruas da Rota, das quais não se sabe se estão atrás de alguém ou apenas tentando se (e nos) convencer de que estão agindo.
Narcisista, como a barulhenta parada de dois motoqueiros na frente do bar Filial (na Vila Madalena), só o tempo necessário para certificar-se de que suscitaram alguma inveja nos outros varões que estão tomando chope na calçada.
Fóbica, como aquele motorista de táxi que, no fim dos anos 80, me disse que passava um pano com álcool no banco traseiro quando levava alguém para o Emílio Ribas. Ou como a lavagem cotidiana das calçadas das mansões.
Paranóica, como o insufilme dos carros blindados e das guaritas de segurança ou como os cacos de vidro em cima dos muros ao redor das casas.
Louca, como a aposta dos motoboys, que acreditam que os motoristas nunca mudarão de faixa.
Esquizofrênica, como os fragmentos que, sem organizar-se numa história, desfilam na fala entrecortada dos moradores de rua mais agitados e perdidos.
Obsessiva, como a vontade de saber que Deus existe (mas não nos escolheu) que transparece na obstinação dos jogadores de bingo, dos apostadores do Jockey e dos pilares das casas lotéricas.
Psicopata, como o vizinho decidido a nos impor sua música, como o bando de jovens exultantes ao constatar o medo que inspiram, como o motorista que buzina para assustar e sustar os passantes, como o cara que tenta passar à frente na fila do cinema.
Dissoluta (perversa, diriam os que entendem pouco de clínica), como os cantos escuros do Ibirapuera à noite ou como os cinemas do largo do Arouche

(Trechos da crônica “São Paulo No Divã”, de Contardo Calligaris, para a Folha de São Paulo, em 2005)

Viu, só? Ele me confunde com meus filhos! E não foi nada lisonjeiro!

Terapeuta:

_ Na Terapia Holística não necessitamos rotular os Clientes, nem os classificar em padrões pré-determinados: cada qual é único… Contudo, o fato de ter te magoado tanto (a ponto de “decorar” a fala!) é significativo, indicando uma possível “negação” de algumas de suas facetas…

Cidade:

_ Era só o que me faltava! Vai dizer que meus filhos “herdaram” isso tudo comigo? Eu cuidei deles o melhor que pude! Aqueles ingratos! Sabe o que a maioria deles faz no MEU aniversário? Me deixam sozinha! S-O-Z-I-N-H-A! Saem todos de casa e vão visitar minhas irmãs!!! Vão todos para as casas das tias Rio, Salvador, Recife! Ingratos! Ingratos!

Terapeuta:

_ Deixe vir a emoção… Sem reprimir… A “catarse” pode ser um bom começo para lidarmos com estas questões…

Cidade:

_ Às vezes, emerge um ódio… Me dói saber que me deixam sozinha, bem no meu aniversário e ainda vão “puxar-o-saco” das tias! Faço bolo, festa, desfile, exposições, eventos artísticos e eles nem ligam!

Terapeuta:

_ Você já contou aos filhos como se sente?

Cidade:

_ Não quero dar o braço a torcer… E sempre tem aqueles filhos que ficam e aproveitam que boa parte dos irmãos não estão e aproveitam ao máximo! Ai, eu me distraio um pouco desta frustração e acabo até me divertindo! Ufa! Desabafei! Parece que me livrei de um “peso”!

Terapeuta:

_ Isso é bom! Claro, ainda há muito o que compreender e “digerir”… E ainda haverá ocasião de trazermos de volta à pauta, a hipótese das “projeções” de características entre mãe, filhos e terapeutas… Para o momento, vamos em mais uma atividade em Arteterapia!

Cidade:

_ Desta vez, vou pintar eu e meus queridos filhos!


Tela concebida pela Cliente “Cidade de São Paulo”, na sequência de sua segunda consulta…

Tela Megalopolitanos Artista Henrique Vieira Filho
Tela Megalopolitanos
Artista Henrique Vieira Filho

Título: “Megalopolitanos”

Artista: Henrique Vieira Filho

Técnica: Mista

Tamanho: 120 cm x 80 cm

Ano: 2018

São Paulo No Divã E Nas Artes

Artista Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho homenageia a Cidade de São Paulo com uma série de crônicas e telas (pintura em técnica mista).
Nesta divertida ficção, São Paulo está em sessão de terapia holística (psicanálise, acupuntura, vivências…), culminando em que a cidade pinta seu autorretrato, como parte da arteterapia.

Cidade Diva No Divã
São Paulo Em Terapia – Primeira Sessão

FC – Ficha de Cliente – De acordo com a NTSV – TH 003

Henrique Vieira Filho – Terapeuta Holístico – CRT 21001

São Paulo Antiga
São Paulo Antiga

Nome / Cliente: Cidade de São Paulo
Endereço: Latitude: -23.5489, Longitude: -46.6388 23° 32? 56? Sul, 46° 38? 20? Oeste
Nascimento: 25 de janeiro de 1554 (obs.: esta é a data oficial; a Cliente esclarece que o dia exato, nem ela lembra, mas que foi em 1520…)
Apontamentos:
Minha nova Cliente é uma charmosa e hiperativa senhora quatrocentona… Apesar de desconfiar que sua foto na ficha está desatualizada…
Nesta nossa primeira sessão, pontuou que, às vésperas de seu aniversário, considera que chegou o momento de re-investir em autoconhecimento.
Cidade:
_ Eu já passei por terapia, faz algum tempo, com um psicanalista, colega seu… Só não concordo com tudo o que ele analisou! Até me chamou de histérica!
Terapeuta:
_ Talvez ele tenha dito que sua personalidade é do tipo histérica, ou seja, que se percebe como irresistível a todos, sedutora por seu potencial, por suas oportunidades.
Cidade:
_ Acalento o sonho de tantos, mas, sei que também posso virar pesadelo. Sou uma quatrocentona cheia de charme! Quando desfilo pelo mundo, ornada com o Masp, o Teatro Municipal, a Estação da Luz, a Ponte Estaiada… Hum… Sabia que até o Tom Jobim cantou que me amava? Mas, linda mesmo, eu era quando menina!
Terapeuta:
_ Me fale sobre a sua infância…
Cidade:
_ Bons tempos, aqueles! Minha beleza não era construída, como hoje em dia… Era totalmente natural! Florestas densas, animais exóticos, rios, muito sol…
Fui revolucionária: a primeira dentre as minhas irmãs a morar no interior! Todas as demais nasceram e cresceram junto ao mar… Eu me aventurei pelas matas e me estabeleci em uma colina circundada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú, que fechavam um delta com uma enorme área alagada: as várzeas do Carmo e do Glicério. Eu era como uma ilha! Sabia que o Padre Anchieta teve que vir de barco para me batizar?…
Terapeuta:
_ Como é a relação com suas irmãs?
Cidade:
_ Elas me criticavam muito… Diziam que eu era louca de morar no interior, com tantas praias que ainda faltavam desbravar… Minhas irmãs tinham porto, navios para o comércio, estavam fazendo fortunas e se vangloriando! Só que eu provei para elas que sou tão boa quanto! Dei duro, trabalhei sem descansar, sem dormir e me tornei esta megalópole que você conhece! Mostrei para elas todas que eu não precisava de oceano, coisa nenhuma!
Terapeuta:
_ Notei a sua pausa reflexiva… Creio que você teve o que chamamos de “insight”…
Cidade:
_ Minha autoestima estava frágil com essa questão de não ter oceano… Acabei por negligenciar e negar as minhas próprias águas! Cobri meus rios com vastas avenidas… Sabia que dois terços delas correm sobre os antigos caminhos das águas?
De tanto me infernizar com as minhas irmãs/rivais do litoral, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, a minha relação com minhas águas foi indo de pacífica, com direito a regatas no rio Tietê, para uma investida furiosa contra os rios, riachos e córregos. Quis apagar as águas até o último vestígio!
Terapeuta:
_ Respire fundo… Deixe vir as emoções… Os “insights” são assim: uma infinidade de informações em uma fração de segundo; levará algum tempo para “digerir” e elaborar tudo.
Cidade:
_ E então, meu caro terapeuta… Vai me aplicar acupuntura? Recomendar uns florais de Bach? Reflexoterapia? Arteterapia, quem sabe?…
Terapeuta:
_ Possivelmente, uma mescla destas técnicas…. Notei mesmo essa zona reflexa, aqui na região da Cracolândia necessitando de alguma atenção; uma “acupuntura”, só que SEM agulhas, pode ajudar… No mais, creio que a Arteterapia será um bom caminho para ampliar a consciência perante o “insight” de hoje e os futuros, que certamente virão…
Cidade:
_ Minha personalidade “histérica” está retomando: pintarei um autorretrato!
 
Tela concebida pela Cliente “Cidade de São Paulo”, na sequência de sua primeira consulta…
Tela Polimetropolis - Artista Henrique Vieira Filho
Título: “Polimetropolis”
Artista: Henrique Vieira Filho
Técnica: Mista
Tamanho: 120 cm x 80 cm
Ano: 2018

Título: “Polimetropolis”
Artista: Henrique Vieira Filho
Técnica: Mista
Tamanho: 120 cm x 80 cm
Ano: 2018

Cidade Diva No Divã: São Paulo Na Terapia

Tela Polimetropolis - Artista Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho homenageia a Cidade de São Paulo com uma série de crônicas e telas (pintura em técnica mista).
Nesta divertida ficção, São Paulo está em sessão de terapia holística (psicanálise, acupuntura, vivências…), culminando em que a cidade pinta seu autorretrato, como parte da arteterapia.

Cidade Diva No Divã
São Paulo Em Terapia – Primeira Sessão

FC – Ficha de Cliente – De acordo com a NTSV – TH 003

Henrique Vieira Filho – Terapeuta Holístico – CRT 21001

São Paulo Antiga
São Paulo Antiga

Nome / Cliente: Cidade de São Paulo
Endereço: Latitude: -23.5489, Longitude: -46.6388 23° 32? 56? Sul, 46° 38? 20? Oeste
Nascimento: 25 de janeiro de 1554 (obs.: esta é a data oficial; a Cliente esclarece que o dia exato, nem ela lembra, mas que foi em 1520…)
Apontamentos:
Minha nova Cliente é uma charmosa e hiperativa senhora quatrocentona… Apesar de desconfiar que sua foto na ficha está desatualizada…
Nesta nossa primeira sessão, pontuou que, às vésperas de seu aniversário, considera que chegou o momento de re-investir em autoconhecimento.
Cidade:
_ Eu já passei por terapia, faz algum tempo, com um psicanalista, colega seu… Só não concordo com tudo o que ele analisou! Até me chamou de histérica!
Terapeuta:
_ Talvez ele tenha dito que sua personalidade é do tipo histérica, ou seja, que se percebe como irresistível a todos, sedutora por seu potencial, por suas oportunidades.
Cidade:
_ Acalento o sonho de tantos, mas, sei que também posso virar pesadelo. Sou uma quatrocentona cheia de charme! Quando desfilo pelo mundo, ornada com o Masp, o Teatro Municipal, a Estação da Luz, a Ponte Estaiada… Hum… Sabia que até o Tom Jobim cantou que me amava? Mas, linda mesmo, eu era quando menina!
Terapeuta:
_ Me fale sobre a sua infância…
Cidade:
_ Bons tempos, aqueles! Minha beleza não era construída, como hoje em dia… Era totalmente natural! Florestas densas, animais exóticos, rios, muito sol…
Fui revolucionária: a primeira dentre as minhas irmãs a morar no interior! Todas as demais nasceram e cresceram junto ao mar… Eu me aventurei pelas matas e me estabeleci em uma colina circundada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú, que fechavam um delta com uma enorme área alagada: as várzeas do Carmo e do Glicério. Eu era como uma ilha! Sabia que o Padre Anchieta teve que vir de barco para me batizar?…
Terapeuta:
_ Como é a relação com suas irmãs?
Cidade:
_ Elas me criticavam muito… Diziam que eu era louca de morar no interior, com tantas praias que ainda faltavam desbravar… Minhas irmãs tinham porto, navios para o comércio, estavam fazendo fortunas e se vangloriando! Só que eu provei para elas que sou tão boa quanto! Dei duro, trabalhei sem descansar, sem dormir e me tornei esta megalópole que você conhece! Mostrei para elas todas que eu não precisava de oceano, coisa nenhuma!
Terapeuta:
_ Notei a sua pausa reflexiva… Creio que você teve o que chamamos de “insight”…
Cidade:
_ Minha autoestima estava frágil com essa questão de não ter oceano… Acabei por negligenciar e negar as minhas próprias águas! Cobri meus rios com vastas avenidas… Sabia que dois terços delas correm sobre os antigos caminhos das águas?
De tanto me infernizar com as minhas irmãs/rivais do litoral, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, a minha relação com minhas águas foi indo de pacífica, com direito a regatas no rio Tietê, para uma investida furiosa contra os rios, riachos e córregos. Quis apagar as águas até o último vestígio!
Terapeuta:
_ Respire fundo… Deixe vir as emoções… Os “insights” são assim: uma infinidade de informações em uma fração de segundo; levará algum tempo para “digerir” e elaborar tudo.
Cidade:
_ E então, meu caro terapeuta… Vai me aplicar acupuntura? Recomendar uns florais de Bach? Reflexoterapia? Arteterapia, quem sabe?…
Terapeuta:
_ Possivelmente, uma mescla destas técnicas…. Notei mesmo essa zona reflexa, aqui na região da Cracolândia necessitando de alguma atenção; uma “acupuntura”, só que SEM agulhas, pode ajudar… No mais, creio que a Arteterapia será um bom caminho para ampliar a consciência perante o “insight” de hoje e os futuros, que certamente virão…
Cidade:
_ Minha personalidade “histérica” está retomando: pintarei um autorretrato!
 
Tela concebida pela Cliente “Cidade de São Paulo”, na sequência de sua primeira consulta…
Tela Polimetropolis - Artista Henrique Vieira Filho
Título: “Polimetropolis”
Artista: Henrique Vieira Filho
Técnica: Mista
Tamanho: 120 cm x 80 cm
Ano: 2018

Título: “Polimetropolis”
Artista: Henrique Vieira Filho
Técnica: Mista
Tamanho: 120 cm x 80 cm
Ano: 2018

CALENDÁRIOS, DEUSES E O NEXO TEMPORAL

Nexo Tenporal - Henrique Vieira Filho_Mitologia_Jano_Modelo_Pam
Deus Jano
Deus Jano – Arte: Henrique Vieira Filho

CALENDÁRIOS, DEUSES E O NEXO TEMPORAL

Final de ano, início de outro…

A humanidade desenvolveu CALENDÁRIOS como uma tentativa de compreender, prever e até conquistar o TEMPO e, assim, acalmar boa parte de nossos temores quanto a este conceito que parece fluir em constante fuga, sendo a distância entre a causa e o efeito de tudo que presenciamos.
Estabelecer e seguir um calendário é adquirir a sensação de segurança, de integrar-se ao ritmo do Universo e esta iniciativa é milenar e comum a todas as culturas.
Existe uma infindável variedade de medições do tempo conhecidas, destacando-se os calendários egípcio, grego, asteca, romano, maçônico, revolucionário (relativo à Revolução Francesa de 1789), chinês, muçulmano, gregoriano….

O que existe em comum é a tentativa de marcar no tempo, pontos de referência que relacionados aos fenômenos naturais, cuja evolução e repetição periódica são passíveis de observação.

Organizar o tempo é ter-se a impressão de dominar, através da regulamentação, aquilo a que não se pode escapar.

É possuir um meio de marcar as etapas da própria evolução humana, exterior ou interior, e de celebrar, ao mesmo tempo, numa data fixa, tudo aquilo que faz lembrar as relações do homem com os deuses ou o cosmo, ou com os mortos.

A contemplação de um calendário evoca o perpétuo reinício. Ele é o símbolo da morte e do renascimento, assim como da ordem inteligível que preside ao escoamento do tempo; é a medida do movimento.

(Extraído de CHEVALIER, Jean – Dictionnaire des Symboles. Paris, Éd. Robert Laffont S.A. e Ed. Júpiter, 1982)

Por serem mais curtos e mais fáceis de observar, os ciclos lunares formaram a base dos calendários de muitas culturas. O ciclo solar é mais complexo, exigindo estágios culturais mais avançados para serem adotados.

O calendário egípcio antigo já era bem elaborado e perfeitamente adaptado às necessidades locais: ano de 365 dias, dividido em 12 meses de 30 dias e mais 5 dias adicionais, sendo os meses, agrupados em três estações: inundação, inverno, verão.

Dias e noites são divididos em 24 horas, que a astronomia helenística sub-dividirá em 60 minutos, de acordo com o sistema sexagesimal que é de origem babilônica.

Já entre os primeiros hebreus, o sistema era lunar, herdado dos fenícios, porém, no período bíblico, passou a ser solar.

Via de regra, o calendário está em paralelo com os ciclos da natureza.

Porém, a modernidade impôs, de forma global, uma uniformidade COMERCIAL, sendo adotado um mesmo padrão em todo o mundo, ignorando-se a falta de sincronismo com os eventos naturais.

Por exemplo:

Enquanto o “fim de ano”, no Hemisfério Norte, está em sincronia com o INVERNO, ou seja, o período de declínio energético, do risco de morte, das adversidades da natureza, seguido na PRIMAVERA, como ponto de partida de um “ano novo”, aqui no Brasil, temos que nos convencer que o ciclo “acabou” justamente no VERÃO, ou seja, quando estamos no auge da energia e deveríamos estar no máximo da ação…

Boa parte do calendário atualmente adotado, deriva dos modelos juliano (homenagem ao imperador romano Júlio Cezar…) e gregoriano (dedicado ao papa Gregório…).

Para melhor compreender os significados simbólicos atribuídos a cada mês, existe uma interessante série de poemas escritos por Públio Ovídio Nasão (Publius Ovidius Naso), em seu livro Fastos, onde descreve as festas religiosas romanas, dos seis primeiros meses do ano.

Mesmo sendo um autor “pagão”, Ovídio permaneceu na lista de literatura “permitida” pelo Vaticano do século XII.

O mês de Janeiro, Ianuarius mensis, em latim, era dedicado ao deus Jano, protetor de todos os começos, representado com duas faces, uma voltada ao passado, outra, ao futuro, sendo conhecedor de tudo o que já ocorreu ou que virá a acontecer.

Februarius mensis, ou, Fevereiro, é o mês reservado às cerimônias de purificação e expiação denominadas Februa, não sendo dedicado exclusivamente a nenhuma divindade em especial.

Março, Martius mensis, relativo a Marte, deus guerreiro, era o mês inicial do antigo calendário romano, pois era considerado o pai mitológico de Rômulo, primeiro rei de Roma, além de preparar para a primavera (hemisfério norte…) que aflora no mês seguinte, ou seja, Abril (Aprilis, aperire), que significa ABRIR, período dedicado a Vênus, deusa da fertilidade, do amor; também, são homenageadas as deusas Flora, Vesta e Ceres.

O mês de Maio (Maius mensis, em latim), possui variadas versões quanto à etimologia: ou deriva da deusa Maia, mãe de Mercúrio, como também pode originar de “aos Maiores” (Maius), ou seja, período dedicado aos mais velhos, aos antepassados.

Por sinal, esta versão corrobora a de que Junho (Iunius, iuvenis = jovens, juniores…) fosse um período em homenagem aos jovens; outrossim, também pode ser atribuído à deusa romana Juno, que é assemelhada à poderosa Hera, da mitologia grega.

Alguns estudiosos associam ao verbo iungo, que significa juntar, unir, pelo fato de ser este mês atribuído ao da unificação entre os romanos e os sabinos (após o episódio do “rapto das sabinas”…).

Os meses de Julho e Agosto homenageiam os imperadores romanos Júlio e Augusto, iniciando-se, a partir deste ponto, a nomeação sequencial numérica para os demais (antes de Júlio Cezar, o calendário era subdivido em 10 meses…):

Setembro (mense septembri, relativo ao numeral “sete”), Outubro (Octóber mensis, oito…), Novembro (novembris, nove…) e Dezembro (decèmber, dez…).

Como podemos constatar, nosso calendário atual é povoado por deuses, imperadores e algarismos romanos e certamente existe uma SINCRONICIDADE entre tais tópicos e as predisposições comportamentais de cada mês…

Se nas regiões Norte de nosso planeta, ainda existe uma cerca sincronia entre o significado de cada mês e as estações do ano, tornando mais fácil o entendimento, ainda assim, por força da globalização que padronizou as medições do TEMPO, perdeu-se a relatividade e universalizou que dezembro é o FIM (ainda que no Brasil, seja VERÃO e não inverno…) de um ciclo, que re-INICIA em janeiro (que aqui, ainda é verão, ao invés de PRIMAVERA…).

Na antiguidade, os povos comemoravam o término do período difícil, de tempo frio, neve, isolamento, falta de alimento, alegrando-se com a volta do calor, da abundância de recursos, do retorno às atividades, ao desabrochar da vida…

Modernamente, continuamos a celebrar, não mais pela sintonia de nossas emoções com a natureza à nossa volta, mas sim, muito mais por adaptações religiosas às datas festivas “pagãs” e pela pressão social que impõe a todos seu calendário COMERCIAL padrão.

Outrossim, não raro, muitos de nós sentem- se desconfortáveis, até mesmo envoltos em emoções “contra a corrente” do momento, vivenciando tristeza, raiva, medo…

Talvez,interiormente, estejam ainda em pleno FOGO de verão, desejosos em realizar sonhos, em materializar objetivos, enquanto o restante da sociedade lhe despeja um balde de gelo invernal, dizendo: acabou-se o TEMPO

O mito de Jano, o rei-deus guardião de Saturno/Cronos (o tempo…), homenageado, não por acaso, em Janeiro (início dos anos…) nos apresenta um rosto voltado para o passado, outro, ao futuro e uma fusão que ocorre no exato momento da passagem entre os extremos, o NEXO, instante fora do tempo e espaço, em que é sentida intensa comoção pelo término de um ciclo de vida.

O sofrimento experienciado por muitos de nós, é consequência da permanência no Nexo, refúgio desconfortável onde se ilude eternizar aquilo que é efêmero, passageiro….

É o complexo saturnino, descrito na Psicanálise, com a recusa de “perder”, de deixar passar, aquilo a que nos ligamos sucessivamente na vida, evocando o outro lado do mito de Cronos, em que devora seus próprios filhos.

Jano toma conta do TEMPO, sem jamais pretender dominá-lo ou detê-lo.

É igualmente o senhor dos portais, das entradas e saídas, e ao fechar uma porta, simultaneamente abre outra…

Sofremos por insistir no caminho já trilhado e agora fechado, deixando de perceber a nova porta aberta, à espera de nossa passagem por ela.

Ainda que sem sincronia perfeita com a natureza (individual e ambiental…), que o calendário que, não por acaso, adotamos, bem nos sirva para cerrar, como chave-de-ouro, as portas deste ano e para abrir o novo ciclo.

Esses são os votos de um feliz rito de passagem, de seu colaborador junguiano e sem nexo.

HENRIQUE VIEIRA FILHO

Artista Plástico, Psicanalista

Autor de diversos livros, centenas de artigos, palestrante, docente, articulista colaborador em diversos veículos de comunicação.

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